Da brevidade da vida

Hoje é um daqueles dias que começam maravilhosos e, de repente, assumem um caráter de horror. Início do dia, reunião com o Prof. Scarance e uma maravilhosa discussão sobre a nova lei do procedimento do júri. Absolutamente fenomenal.

Saio da reunião para o almoço e, ao chegar ao João Mendes, recebo a notícia de que um dos oficiais de justiça que trabalha na vara faleceu pela manhã em um acidente na Avenida 23 de maio, aqui em São Paulo.

Para falar a verdade, estou chocado até agora. Além disso, por motivos egoísticos, não lido muito bem com esta moça de preto que vez ou outra nos assombra.

O mais incrível é que antes de ontem mesmo estávamos juntos aqui na vara, conversando sobre os gibis do Tex e os clássicos de Disney que ele também gosta de ler.

É tudo muito estranho e sempre fica um sabor ruim demais na boca. Mesmo eu, que tenho minha crença católica na vida após a morte também fico com esse sabor ruim.

Mas, pensando na brevidade da vida do Otávio e em alguns momentos pessoais peculiares, penso que as coisas não sejam ruins nem boas, elas simplesmente são e este talvez seja o grande lance de sacar a vida.

Entender que a qualificação de “boas” ou “ruins” para as coisas são simplesmente fruto de nossa postura perante a vida talvez possa aliviar um pouco as coisas, mas não é fácil.

Enfim, Otávio, espero que neste momento você esteja em algum lugar bem bacana, galopando rumo ao por do sol junto com pessoas fantásticas ao som do bom e velho rock and roll. Vá em paz na viagem irmão.

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