33 anos

Há 33 anos, numa pequena e pacata cidade do interior de São Paulo eu nasci. Filho de uma professora e de um hippie (pai, é fogo, mas é a sua essência), hoje é dia de buscar o fio de prata que me conduz a quem eu era, para que possa entender o que me tornei e possa buscar enxergar para onde aponta a jornada em que me encontro.

Fui criado em meio a muito amor por minha mãe (não direi, como muitos, que foi amor demais, pois amor nunca é demais).

Sempre estive cercado do que havia de melhor na vida: poesia, beleza, literatura, cinema e esportes. Hoje, o último anda relegado demais, e sinto muita falta, de maneira que fica como projeto para que, quando o sol estiver nesta mesma posição espacial de hoje, eu possa dizer, voltei a praticar esportes.

Ainda em Bebedouro, tive o privilégio de crescer ao lado de grandes sujeitos: para alguns a distância foi fatal, para outros, apenas reafirma nossa comunhão. A ambos, sou grato por me terem permitido que a infância e a juventude fossem simplesmente espetaculares.

Em 1993 a mudança para São Paulo: finalmente entendi Caetano, quando diz que Narciso acha feio o que não é espelho. O ódio inicial virou um profundo caso de amor e, hoje, meu amor por Sampa é incondicional.

Na faculdade forjaram-se grandes alianças que ainda persistem, embora o encontro seja cada vez mais raro, o que me entristece.

Após a faculdade, o falecimento de minha mãe, a aprovação no concurso público aos 23 anos, o casamento, o nascimento de minha filha, o mestrado, as aulas, a realização profissional e a frustração pessoal pelo término do casamento.

Enfim, casei, tive uma filha, descasei e, para ser sincero, teria feito tudo novamente. Embora a dor do afastamento seja muito grande (tão grande, mas tão grande, que as vezes dá vontade de acordar), confesso que neste aspecto faria tudo de novo.

Ainda que este amor não tivesse gerado minha jóia mais preciosa, mesmo assim faria tudo novamente: o privilégio de num curto período de minha vida sonhar junto o mesmo sonho faria tudo valer a pena novamente.

E agora, onde me encontro?

Professor, Juiz, autor de livros, nada disso sou eu e, ao mesmo tempo, tudo isso faz parte de mim. Mas não me resumo a isso, não me limito a isso, no fundo no fundo, continuo sendo o mesmo sujeito que era aos 15, e isso me deixa feliz: sou um cara de fé, que acredita em sonhos.

Espero que nos próximos anos continue a manter esta mesma definição de mim: um cara de fé, que acredita em sonhos.

É isso amigos, força e fé, amor pro que der e vier, sempre.

PS – Não sei porque a data da postagem está 09.10. De qualquer forma, a data correta é 10.10

Autor: guimadeira

Sou um cara de fé que acredita em sonhos. Fã incondicional de Shakespeare, Paulo Coelho e de Gabriel Garcia Marques, também adoro Neil Gaiman e Steven Spielberg. Ah, também tenho vários livros publicados, sou mestre e doutor em processo penal pela USP e Juiz de Direito. Corredor amador.

5 comentários em “33 anos”

  1. Tive contato com você hoje nunca aula de Mega Resoluções de Questões do LFG, anotei o endereço do seu blog e, como sou muito curiosa, resolvi fuçar.
    Estava à procura da primeira fase do Exame da OAB de MG e me deparei com esse texto lindo sobre sua vida, sinceramente adorei.
    Resolvi escrever esse elogio, pois percebi que ninguém falou nada e não podia deixar de lhe dizer que dos textos que li, esse foi um dos melhores.
    Gosto de pessoas que não se arrependem do que fazem, mas aprendem com as experiências não tão boas.
    Obrigada por dispor tão belas palavras aos leitores.
    Luciana Sarinho (Natal-RN)

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  2. Madeira, quis olhar seu blog a fim de resolver alguns enigmas que me cercam sobre Direito Processual Penal… confesso, que consegui desvendar e entender grande parte deles… risos! O que é óbvio, pois como vivo dizendo a você, a sua didática é espetacular…
    Bom, mas não quero deixar aqui apenas este comentário acerca de suas aulas, mas também acerca deste texto que nos ensina uma bela lição de vida… “força e fé, amor pro que der e vier”! Realmente, muitas vezes o sofrimento e até mesmo as derrotas são ferramentas que Deus utiliza para nos ensinar o caminho certo, por isso não devemos jamais esmorecer, pois a coragem é a engrenagem que não deixa nossa vida definhar…

    Obrigada pelas palavras!Um forte abraço!

    Sua aluna: Gabi

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  3. Professor,se eu disser que o senhor é um excelente professor apenas estaria reiterando o senso comum Destarte, gostaria de dizer que Deus continue a iluminar seus caminhos e o seu dom nos faz questionar o quanto somos capazes e não sabemos disso.
    Ademais, se o senhor estivesse no local de prova, eu cumpriria seu pedido em sala de aula..rs

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  4. Sou aluna do Modular 2011 e é um grande prazer tê-lo como professor. Lendo este texto, fiquei emocionada e concluí que o Sr. é lindoooooooooo. O seu coração é lindo, o seu espírito é lindo. Nunca deixe de sonhar. Abraços

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  5. Bom dia Guilherme, eu sou um dos amigos que teve o prazer de te conhecer e morar na mesma rua em Bebedouro, tendo amizade com o Dú e Thais, alem claro da ótima professora que foi sua mãe, é muito bacana vê-lo comentar dessa época com muito carinho, afinal jogar basquete na frente de sua casa na cesta de lixo, corre pela rua, Bebedouro Clube, Viola, Claudião (hoje juiz), Mumia, entre outros…é bom lembrar com saudades…
    Abraços
    Fabiano Fava

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