O mundo assombrado pelos demônios

Em sua obra O mundo assombrado pelos demônios, Carl Sagan faz uma profissão de fé sobre o pensamento científico.

Nos dias atuais tenho visto com muita preocupação pessoas levantarem tochas e foices contra a ciência, como camponeses querendo queimar Frankenstein.  A revolta do cidadão contra a ciência é algo que me assusta. Foi a ciência que nos trouxe até aqui e, no entanto, vejo movimentos de várias ordens querer negar a ciência.

Vejo movimentos defendendo que o planeta Terra é plano e não redondo. Vejo gente negando a teoria da evolução de Darwin. Vejo gente afirmando que o homem não chegou na Lua, que vacinas não existem.

E porque chegamos a este estado de coisas? Não há uma causa única, mas parcela da responsabilidade deve ser imputada aos professores. Nós não estamos conseguindo passar os valores básicos para os alunos. Não estamos conseguindo mostrar a importância de séculos do pensamento humano.

Aí vem a pergunta básica, como mudar então?

Precisamos, nós professores, sermos melhores do que fomos até hoje. Cabe também e em especial a nós carregar a chama do conhecimento e evitar que o mundo seja assombrado pelos demônios, como diria Carl Sagan.

Autor: guimadeira

Sou um cara de fé que acredita em sonhos. Fã incondicional de Shakespeare, Paulo Coelho e de Gabriel Garcia Marques, também adoro Neil Gaiman e Steven Spielberg. Ah, também tenho vários livros publicados, sou mestre e doutor em processo penal pela USP e Juiz de Direito. Corredor amador.

4 comentários em “O mundo assombrado pelos demônios”

  1. Professor, bom dia, como o senhor é interessado em avaliar os movimentos do mundo, gostaria de deixar meus dois centavos.

    Existe uma teoria (cujos detalhes eu não me lembro, mas foi academicamente apresentada na Faculdade de Letras) de que esse movimento “anti-ciência” é só mais um braço do movimento fundamentalista e que ele é um resultado direto da segunda guerra mundial.

    O Iluminismo apresentou a teoria de que a Ciência levaria a humanidade a um período de paz e prosperidade. A Primeira Grande Guerra foi um choque, pois não se esperava um conflito naquelas proporções (nem com aquelas armas), porém, foi vendida como “A Guerra para acabar com todas as guerras”. No fim, não foi, e a Segunda Grande Guerra trouxe i) um conflito de maiores proporções; ii) a industrialização da Morte nos Campos de Extermínio; e iii) o maior bombardeio contra populações civis (Hiroshima e Nagasaki). A promessa da ciência não foi cumprida: ao invés de acabarem as guerras, aperfeiçoamos elas.

    A ressaca dessa esperança são os movimentos fundamentalistas religiosos e a descrença na ciência.

    Resumindo, infelizmente, não creio que o problema seja micro, oriundo (e, portanto, resolvível) na educação. Creio que é o nosso zeitgeist.

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      1. Professor, infelizmente, não pedi a bibliografia à professora na época sobre esse tema, que foi exposto en passant.

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