Até a próxima, @Jack, e obrigado pelos peixes

Caro @Jack, confesso que foi de maneira relutante que entrei no twitter em Janeiro de 2011. Do estranhamento inicial devo dizer que me apaixonei e foi minha rede preferida por muito tempo.

O que eu mais amava no twitter era o fato de compartilharmos experiências e podermos abertamente falar com as pessoas. Eu adoro gente, sabe? Adoro compartilhar minhas experiências e adoro ler sobre as experiências dos outros.

Neste compartilhar de experiências o twitter me permitiu conhecer gente bacana demais: de professores de direito, passando por artistas, jornalistas, estudantes de direito a ilustres desconhecidos, eu conheci gente bacana demais.

Acho que meu crescimento na rede se deu justamente porque as pessoas percebiam em mim algo que sempre foi minha marca registrada: verdade. Não aquela verdade que a pessoa grosseira grita como virtude, mas a verdade de quem não faz tipo, de quem não inventa histórias, de quem está ali só pela diversão, pelo aprendizado e por que adora o ser humano.

No entanto, @Jack, em algum momento as coisas começaram a degringolar. Algo não deu muito certo e está saindo do prumo já há algum tempo. No começo eram tweets isolados mas parece que virou um padrão.

Para mim, o twitter deixou de ser aquele lugar bacana de troca de experiências, de diálogo. O twitter virou um palanque em que as pessoas para serem ouvidas precisam gritar, precisam humilhar o outro, precisam fazer ironia sobre o outro. O twitter, @Jack, virou o recreio de uma escola qualquer em que os grupos que praticam bullying estão reinando.

E eu simplesmente cansei.

Já vinha reclamando há algum tempo sobre o estado atual da rede e esta semana cheguei a meu limite. Após uma postagem divertida sobre um incidente no fórum tive que ler tweets realmente que representam o estado deplorável que o twitter se tornou. Inveja, mal sentimento, recalque, isso infelizmente foi a gota d’água para mim.

Eu vou abandonar o twitter? Claro que não. Mas o compartilhamento acabou. Agora as manifestações serão unicamente unidirecionais: compartilharei decisões e textos interessantes mas não haverá mais compartilhamento de experiências pessoais, isso que pra mim sempre foi a base das redes sociais.

Algum dia talvez eu volte a compartilhar experiências pessoais e profisisonais no twitter, mas agora a resposta é não. Não sei quanto tempo isso irá durar, mas agora é chegada a hora de preservar a minha saúde mental. Continuarei tirando dúvidas e compartilhando meu conteúdo, afinal eu sou professor.

Aos amigos um pedido: se porventura virem tweets mandando indiretas para mim ou falando mal de mim mesmo, não me avisem. Já tenho uma série de filtros no twitter justamente para que este tipo de gente não chegue até mim.

Enfim, meu caro @Jack, até a próxima e muito obrigado pelos peixes.

Autor: guimadeira

Sou um cara de fé que acredita em sonhos. Fã incondicional de Shakespeare, Paulo Coelho e de Gabriel Garcia Marques, também adoro Neil Gaiman e Steven Spielberg. Ah, também tenho vários livros publicados, sou mestre e doutor em processo penal pela USP e Juiz de Direito. Corredor amador.

10 comentários em “Até a próxima, @Jack, e obrigado pelos peixes”

  1. Ah, Professor…Vai fazer muita falta por lá. Mas desde o ano passado sinto o mesmo que o Sr.: as pessoas começaram a utilizar o twitter como palanque, onde para ter sua opinião validada é preciso que alguém do mesmo “grupo” o faça. Estou entre idas e vindas, já deixei de seguir algumas pessoas, dei pausas. O twitter pra mim tem que ser diversão, informação e compartilhamento de experiências, e você, Profs, sempre fez isso com maestria. Que você volte logo. Fique bem. Abraço grande.

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  2. Madeira, acompanho você no twitter há muito tempo. Muito respeito e admiração. Você é um cara incrível e aprendo muito com suas experiências e escritas. Além do vasto conhecimento e inteligência, é um cara humano! Um dia gostaria de conhecê-lo pessoalmente. Tem algo que você diz que eu acho muito importante e vou fazer um paralelo. A maioria esmagadora dos seus seguidores nas redes são pessoas do bem, são pessoas que querer ouvir e, acima de tudo, te respeita. Então, será que não seria “injusto” essa retirada por conta de uns poucos? Será que vale a pena deixar suas experiências de lado por conta de alguns ressentidos, mal amados, maldosos, infelizes? Infelizmente, tem gente assim, temos que conviver com isso. Não é só contigo! As vezes tenho pena de gente assim. Pense quantas pessoas legais convivem diariamente com gente ruim, mal amada, chata, ressentida e invejosa?! Bem, se isso tem feito mal para a sua saúde mental, respeito sua decisão, pois sua saúde é mais importante, mas peço que reflita sobre isso. Pense quanta gente boa, do bem, gosta de você, das suas experiências compartilhadas no twitter. Escrevo por aqui porque não tenho seu e-mail e não caberia no twiter. Um abraço!!

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  3. Justo hj que fiz um pequeno fio sobre seu artigo “a busca e apreensão em celulares…”

    Brincadeira.

    Vc é exemplo a ser seguido, e junto com o Flávio o Twitter é um lugar melhor, pena que não seja um “safe place”.

    Parabéns por tudo!

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  4. Sou de BSB, não estudo direito e nem sei como fui segui-lo no twitter. Mas confesso que sempre foi muito prazeroso acompanhar sua opinião, suas dicas, seu humor.

    Fica bem! Obrigado por compartilhar e até+

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  5. Madeira, conheço você desde 2008, desde minha graduação. Desde lá aprendi a não te chamar de professor: você é um grande parceiro dos seus alunos. Aprendi a respeitar e admirar (não amar, sem exageros) a ciência do direito penal, em todos os seus aspectos, por sua causa. Desde que nos afastamos para seguir cada um seu caminho, eu continuei a te acompanhar os passos. E você evoluiu, meu caro. Muito, porque manteve aquilo que é essencial em você: técnica, análise ampla e comparativa de todas as opiniões (sérias) a respeito e altas doses de humor. Acompanho seu twitter como um referencial sobre os acontecimentos e fico feliz porque me sinto de volta às nossas conversas de alto nível da graduação. Não se preocupe. Como diria o mestre Yoda após a ordem 666: “Até o momento certo, desaparecer você deve”. Fique com o essencial. Esperamos que este “momento certo” seja muito em breve e quando acontecer todos que sabem quem realmente você é vão continuar te seguindo. Um abraço do seu aluno, Kaleo.

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  6. Dr. Madeira, que pena que isso tenha acontecido… gosto de ver esses “causos” no twitter, não apenas seus, mas de outros colegas, me anima na volta a vida de concurseira… Mas entendo, não tenho entrado mto no twitter ultimamente, mesmo segundo mta gente bacana, como o sr., tem dado uma “preguiça” de algumas discussões dali. Já não entro no facebook a mto tempo pelo mesmo motivo. E tenho um pequeno problema, uma dificuldade gigante de não me meter em tretas, e isso acaba com minha saúde mental, mas estou tentando.
    Espero q volte, mas espero que o twitter possa ser novamente um espaço mais leve de trocas e de compartilhar conhecimentos.
    PS: adorei a referência do título hehe

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