Sobre a beleza e a magia das coisas

Sobre a beleza e a magia das coisas

Acredito firmemente que todos nós procuramos a beleza nas coisas. Não se trata, aqui, daquela beleza puramente estética ou meramente decorativa. Não, não é disso que estou falando.

Falo da beleza da vida, da poesia necessária para vivermos. Estou neste momento olhando para a janela da minha sala que fica no 22º andar: o céu maravilhoso em tons de azul, cinza e vermelho. Ao fundo os sinos da Igreja da Sé tocam. A cidade lentamente escurece e os faróis dos carros já começam a tomar conta de tudo.

É desta beleza que precisamos.

Também penso na beleza de um caminhar na madrugada de São Paulo pela Avenida Paulista (creiam-me, é uma experiência maravilhosa, desde que não esteja frio) e, de repente, deparar-se com uma exposição sendo montada em algum espaço público.

Ou, até mesmo, na beleza que há em se tomar um simples café com um amigo enquanto se vê calmamente as pessoas apressadas correndo de um lado para o outro e você e seu amigo, tranqüilamente, tomado seu café.

A beleza é fundamental. É fundamental porque nos permite ver além das simples linhas de concreto que por vezes acreditamos que seja a nossa vida. A beleza, especialmente quando é inesperada, nos desperta para a mágica do mundo.

Mágica que acabamos, com o tempo, deixando de perceber. Creia-me, todas as coisas são belas e em todas há um pouco da magia do mundo, basta saber olhar.

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Qautro casamentos e um funeral

Trata-se de um maravilhoso filme com o Hugh Grant e com a charmosa Andie MacDowell.

Lançado em 1994, conta a história de um solteirão que tem problemas com compromisso, até que encontra a bela Andie MacDowell.

Na verdade, o tema de fundo do filme é sobre o timing que envolve as pessoas: encontros e desencontros de um casal ao longo do filme. Ele apaixona-se por ela e quando vai tentar algo mais formal, descobre que ela está noiva. Ela se casa e, no dia do casamento dele, aparece na catedral e diz que se divorciou.

É engraçado e triste ao mesmo tempo muito embora, para a felicidade geral da nação, o final seja feliz.

Tenho uma queda muito grande por finais felizes, pois no fundo me considero um otimista por natureza (na verdade, o copo não está meio cheio, está sempre cheio).

Pensando hoje sobre o timing das coisas, cada vez mais acho que elas acontecem no seu devido tempo e como devem acontecer.

Um amor que não deu certo no passado pode muito bem tornar-se uma grande amizade. Mas o amor do passado também pode voltar como amor, se for para ser amor.

Seja como for, não olho para os amores do passado com tristeza. Na verdade, trago todos comigo, pois me ajudaram a ser aquilo que sou hoje.

Muitas vezes agimos como “Amaranta”, a maravilhosa personagem do livro Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marques. Vivemos em busca de um amor e, quando o encontramos, temos medo de aceitá-lo.

Pode não ser o timing correto e, se tiver que acontecer novamente, ocorrerá e, na segunda vez, de maneira muito melhor do que a primeira, desde que o timing esteja ajustado.

No fundo no fundo, o timing é fundamental para qualquer coisa na vida. O grande Maquiavel falava de fortuna e virtú, mas se vivesse em nossa época certamente na obra o Príncipe estas palavras teriam sido substituídas por timing.

E é exatamente por não controlarmos o timing das coisas que a vida se torna fantasticamente arriscada. Aliás, como já dito por alguém, viver é perigoso e por isso fantástico.

Curta um pouco mais sua reflexões sobre timing ao som da maravilhosa trilha sonora do filme clicando abaixo (Wet Wet Wet, com Love is all around).

http://br.youtube.com/watch?v=TQQ6SfPZggw&feature=related

PS – Não tenho escrito posts jurídicos recentemente pois estou finalizando dois livros (sobre provas e o novo procedimento do júri) e por isto, neste espaço, tenho reservado para meus assuntos aleatórios.

Caverna do Dragão

CAVERNA DO DRAGÃO – EPSÓDIO FINAL

A Caverna do Dragão foi um desenho que passava nas manhãs da TV Globo na década de 80 e também na década de 90. Fez muito sucesso e influenciou pelo menos duas gerações aqui no Brasil.

A premissa era relativamente simples: amigos adolescentes (e uma criança meio mala) entram em uma montanha russa em um parque de diversões e são levadas para um universo alternativo.

Lá cada uma recebe poderes especiais de um mago (mestre dos magos) e precisam encontrar o caminho de volta para casa, enfrentando as mais fantásticas aventuras.

Infelizmente o último episódio nunca foi escrito, o que gerou margem às mais estapafúrdias versões. Talvez a maior delas seja a de que os garotos estejam mortos e que o Vingador e o Mestre dos Magos sejam, na verdade, a mesma pessoa.

Embora este roteiro fosse comum nos quadrinhos, não era roteiro típico de desenhos do início da década de 80 e, por mais legal que possa parecer, não é o roteiro verdadeiro.

Na verdade, o episódio final chama-se Réquiem e você pode encontrar o roteiro original clicando aqui http://www.michaelreaves.com/pdf/requiem_sec.pdf. O arquivo está em PDF e em Inglês (mesmo que você somente fale “The book is on the table”, é possível a leitura do arquivo).

Agora, se você não é versado na língua de Shakespeare, vai aqui um pequeno resumo: são dois episódios em que os grupos se dividem por conta de uma aposta entre o Vingador e o Mestre dos Magos (que não poderia ajudar os garotos).

Após uma série de desentendimentos, eles acabam atuando conjuntamente e abrem um baú que se encontrava em uma torre secreta. Assim, libertam a parte boa da alma do Vingador que volta a ser uma pessoa boa, e descobrimos que ele é filho do Mestre dos Magos.

O Mestre dos Magos diz que eles podem voltar para casa, mas ainda há muitas aventuras a serem vividas, e o programa termina.

Quem nunca sonhou em ser o Hank (arqueiro) e tantos outros. Há um verdadeiro culto em torno deste desenho como você pode ver na foto abaixo.

Seja como for, há boatos fortes de que está sendo produzido o filme da série e torço muito para que o filme seja tão bom quanto a série.

Muitos não entendem a importância desta série, mas basta dizer que, para minha geração, este desenho possui o mesmo efeito que as madeleines de Proust no início de “Em busca do tempo perdido”. Trata-se da nossa memória afetiva que nos leva a uma época mais inocente. Afinal de contas, quem nunca pensou, antes de dormir, que seria legal ser um dos membros da série? Se você respondeu que nunca fez isso, sua mentira custará a ira de Tiamat, o Dragão.

Da série Madeira vidente

STJ concede liberdade à viúva da Mega-Sena por demora no julgamento

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça concedeu, por unanimidade, habeas-corpus a Adriana Ferreira de Almeida, a viúva da mega-sena, seguindo o voto da relatora, ministra Laurita Vaz, que apontou “constrangimento ilegal” da ré em função da demora no julgamento pelo Tribunal do Júri.

Adriana Ferreira de Almeida foi presa sob a acusação de ter planejado o assassinato do marido, Renné Senna, que ficou milionário ao ganhar na loteria. Por isso, ela ficou conhecida como a “viúva da mega-sena”. O crime ocorreu em janeiro de 2007.

Seguindo o voto da relatora, ministra Laurita Vaz, os ministros da Quinta Turma concederam o pedido de liberdade por constatar que Adriana Almeida estava presa há mais de um ano e seis meses, sem data de julgamento pelo Tribunal do Júri. A prisão cautelar foi decretada, exclusivamente, em razão da gravidade do crime. “O constrangimento ilegal está evidenciado. Não há qualquer elemento concreto individualizado capaz de justificar a custódia excepcional”, afirmou a ministra durante o julgamento.

A relatora ressaltou também que a sentença de pronúncia ocorreu há nove meses e não existe razão plausível para justificar o atraso no julgamento.

Comento

Em aula já no final do ano passado eu disse que isso aconteceria. Agora, é esperar o julgamento pelo Tribunal do Júri. Fica a pergunta, caro amigo, marcada a data do julgamento para após a entrada em vigor da nova lei do júri, qual lei regerá este julgamento? A lei anterior ou a nova?

Início

Início

Todo começo possui sua própria beleza já disse o poeta.

Começo aqui uma nova etapa no relacionamento com alunos e amigos.

Pretendo, aqui, discutir os assuntos mais recentes envolvendo questões jurídicas e, também, discutir sobre temas envolvendo cultura (clássica, ou pop, seja lá o que estas divisões signifiquem). Afinal de contas, nossa vida é muito maior do que meras discussões jurídicas.

É isso. No mais, força e fé, amor pro que der e vier.

Madeira