Sobre o politicamente correto e o nazismo

Todos sabem que não sou adepto do politicamente correto, embora respeite a posição de quem acha que é moderno o ser.

Mas, há exageros que não podem ser tolerados.

Ontem, no jornal do meio dia da Globo dois jornalistas questionavam a compra da obra de Will Eisner para ser incluída na biblioteca de escolas públicas em São Paulo. Trata-se da obra Um contrato com Deus.

Para quem não conhece, trata-se da primeira graphic novel da história.

Esta obra foi uma forma de Eisner exorcizar o demônio da morte da filha por leucemia.

E porque a obra foi questionada? Porque conteria cenas de violência em que homens batem em mulheres, prostituição e uso de drogas.

Ora, com todo o respeito, chegou-se a um limite que, caso ultrapassado, irá desembocar em queima de livros em praça pública, assim como os nazistas faziam.

Vejam, poderíamos também questionar a seguinte obra cujo resumo segue: o tio mata o irmão para virar rei e comer a mulher do irmão. O filho do rei morto começa a ver o fatasma do pai que exige vingança e mata o tio. Para quem ainda não sacou, estou tratando de Hamlet, de Shakespeare.

Ou poderíamos também questionar a inclusão da obra em que um sujeito é torturado por desafiar o poder do estado e, traído por um amigo, é assassinado em praça pública (estou falando da Bíblia e de Jesus).

Não dá para admitir este tipo de postura de jornalistas que ainda tentam se justificar dizendo que apenas querem proceder ao debate.

Sei que é difícil arrumar uma boa pauta para reportagens mas, com o devido respeito, certos debates quando iniciados podem terminar onde não se sabe. Não vai faltar quem defenda que deve haver  uma escolha democrática nos livros a serem adquiridos e aí cada grupo poderia vetar determinados autores: a) eu veto Charles Darwin porque o homem não veio do macaco; b) eu veto Shakespeare, pois é muito violento.

Pelo amor de Deus, não?!

Vamos deixar as pessoas pensarem por si. As pessoas não precisam ser tuteladas, muito menos por jornalistas. Eduquemos nossos filhos para decidirem, por si, o que é ou não bom.

Além disso, sempre me lembro de Miles Davis nesta hora, quando perguntado sobre o que as pessoas deveriam ouvir, tendo respondido: Ouçam de tudo, pois só assim vão entender porque eu sou um gênio.

Vejam as cenas abaixo e espero que não sejam uma profecia e sim um alerta.

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Aos amigos mineiros – IV

Muitos têm me perguntado sobre a possibilidade da OAB MG aceitar as duas peças ante a omissão nos dados do problema.

Isto porque, como sabido, no problema fez-se menção expressa ao artigo 138 mas não à causa de aumento de pena.

Também já disse aos amigos minha posição pessoal de que não concordo com este tipo de pegadinha, que, ao meu ver, não é daquelas que permitem avaliar conhecimento.

Tenho para mim que é possível que a OABMG aceite as duas peças, ao menos no momento da correção.

Então, agora, somente resta a pior fase que é a fase da espera da lista.

Estamos juntos e torcendo por vocês.

Aos amigos mineiros III

Pessoal, primeiramente leiam o adendo que fizemos no post abaixo.

Leram? Ok, vamos lá.

Há um segundo argumento que nos leva a concluir pela competência da vara comum (notem que agora o Flávio também concorda com nosso argumento).

A causa de aumento de pena estaria narrada na QC e, por isso, ainda que ajuizada perante o juizado, o magistrado não poderia nada fazer. Deveria remeter para o juízo competente (vara criminal), dada a competência desta.

Além disso, como a transação penal e a composição civil não foram mencionados (e elas ocorrem antes do recebimento da denúncia), não há que se falar em competência do jecrim.

Mas, vamos esperar o gabarito oficial.

Aos amigos mineiros II

Conversamos agora, eu, a Paty e o Gus. Entendemos que tudo dependerá da redação do problema, para saber da incidência da causa de aumento de pena.

Porque pode haver a incidência da causa de aumento de pena e o advogado não a tipificou, daí seria JECRIM. Caso contrário, seria competência do juízo comum, o que geraria rese.

Nosso feeling é de que deve ser gabaritado Rese, pois a introdução do tema da causa de aumento deve ter sido feita para o aluno entender pelo afastamento do Jecrim.

Cá entre nós, eu acho o tipo bobo de pegadinha, pois o advogado, na vida prática, nunca terá este tipo de problema. Acho que é a pegadinha que não ajuda, que não é interessante, que não avalia conhecimento algum.

 

Adendo feito às 16:24

Pessoal, estou com a Paty na linha e, tendo em vista o problema colocado no post pela colega Renata, acreditamos que seja mesmo Rese.

Isto porque, entre outros motivos, não se mencionou a possibilidade de transação penal ou composição civil. Além disso, em outro problema havido em São Paulo, a questão envolvia a mesma causa de aumento de pena.

Assim, acreditamos que se trata de Rese e, para quem fez apelação, poderá argumentar que na verdade o problema era omisso quanto à causa de aumento de pena e, ao indicar o artigo 138 e silenciar quanto ao art. 141, dava margem para o posicionamento adotado.

Para quem precisa de pontos

Pessoal, é realmente fogo esta situação e a decisão é muito difícil.

Na prova passada a CESPE anulou 6 questões e, em regra, costuma anular. Sendo pessimista, acho que quem se encontra na posição de até 47 pontos deve se inscrever para a segunda fase e estudar.

Caso sejam anuladas as questões, quem as acertou não é prejudicado nem beneificiado. Fique tranquilo quem fez 50 pontos.